SETEMBRO AMARELO: reconhecer os sinais e buscar ajuda especializada pode fazer a diferença
Em entrevista ao Jornal da Folha, a médica psiquiatra Dra. Núbia Domingos Azevedo fala sobre sofrimento emocional, acolhimento sem julgamentos e os caminhos para cuidar da saúde mental.
Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida, um dos principais alertas dos profissionais de saúde é a importância de reconhecer os sinais de sofrimento emocional e procurar ajuda especializada.
O assunto foi abordado pela médica psiquiatra Dra. Núbia Domingos Azevedo, durante a edição desta quinta-feira (24) do Jornal da Folha. Com 13 anos de experiência na Medicina e atuação nos últimos 10 anos na área da Psiquiatria, a profissional destacou que alterações emocionais fazem parte da vida, mas precisam de atenção quando passam a ser frequentes, persistentes e começam a interferir na rotina.
“A gente tem dias felizes, dias tristes, um dia mais irritado, um dia mais calmo. Isso é natural. Às vezes ficar ansioso, às vezes ficar mais angustiado. Só que isso não pode começar a se repetir, ou durar muito tempo. Quando pensamos em um episódio depressivo, estamos falando em 14 dias de sintomas. Então o alerta tem que vir quando a pessoa está ficando triste, ansiosa ou aparentemente deprimida, e isso está se repetindo e começando a trazer prejuízos na vida dele”, explicou Dra. Núbia.
A atenção aos sinais é importante porque o sofrimento psíquico nem sempre aparece de maneira evidente. Mudanças persistentes de comportamento, isolamento, perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer, alterações no sono ou no apetite, irritabilidade, ansiedade intensa e queda no funcionamento cotidiano podem indicar que algo não está bem e merece atenção profissional.
A psiquiatra também chama a atenção para a necessidade de compreender que transtornos mentais não podem ser reduzidos simplesmente a uma questão de força de vontade ou de escolha individual.
“A doença mental, a depressão, a ansiedade, ela não é só pelo sentimento. Há fatores neurobiológicos, como por exemplo a predisposição genética, os ambientes ou situações que aquela pessoa possa estar vivendo; traumas ao longo da vida”, destacou.
Acolher sem julgar
Outro ponto importante abordado pela médica é a forma como familiares e pessoas próximas devem reagir diante de alguém que demonstra sinais de sofrimento.
Nem sempre quem está enfrentando uma dificuldade emocional aparenta estar mal. Uma pessoa pode continuar trabalhando, estudando, cuidando da família e mantendo uma rotina aparentemente normal, enquanto enfrenta um sofrimento significativo.
“O principal é evitar o julgamento. Às vezes vê a pessoa ali funcionando, aparentemente bem, ou ‘com uma vida legal’, e aí você pode questionar que aquela pessoa tem tudo e não entender seu sofrimento”, alertou Dra. Núbia.
Para a profissional, sintomas emocionais não devem ser tratados como frescura, falta de fé, falta de trabalho ou falta de força de vontade. O caminho é oferecer acolhimento e incentivar a busca por ajuda.
Uma atitude simples pode ser fundamental: “Eu sei que você está sofrendo. Vamos procurar ajuda juntos?”
Ouvir, acolher e evitar julgamentos são atitudes importantes para quem está próximo. Quando necessário, o incentivo deve ser para que a pessoa procure profissionais capacitados para avaliar o que está acontecendo e indicar o acompanhamento adequado.
Quando procurar ajuda?
Não é preciso esperar que o sofrimento se torne insuportável para buscar atendimento. Se alterações emocionais estão se repetindo, persistindo ou causando prejuízos na vida pessoal, familiar, profissional ou social, é importante conversar com um profissional de saúde.
A avaliação individual é fundamental para compreender cada situação e identificar qual tipo de acompanhamento é necessário.
Sobre a Dra. Núbia Domingos Azevedo
Dra. Núbia Domingos Azevedo é médica psiquiatra titulada pela Sociedade Brasileira de Psiquiatria e possui 13 anos de experiência na Medicina. Ao longo de sua trajetória, atuou na Atenção Básica, incluindo o Programa Saúde da Família (PSF), além do atendimento hospitalar.
Nos últimos 10 anos, dedica-se à Psiquiatria, com experiência na rede pública e privada. Atualmente, concentra seus atendimentos em consultório próprio, criado com a proposta de oferecer um ambiente mais acolhedor, confortável e com atendimento individualizado aos pacientes.
Consultório Dra. Núbia Domingos Azevedo
Avenida Alberto Caldeira, 636, sala 402
Edifício Melina – Guanhães/MG
Instagram: @dranubiapsiquiatra
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