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Um caso de violência sexual contra uma criança, denunciado há cerca de sete anos em Guanhães, teve um desfecho na última quinta-feira (13), com a prisão do homem condenado pela Justiça. A vítima tinha entre 8 e 9 anos quando os abusos aconteceram. Atualmente, aos 16 anos, ela ainda enfrenta as consequências psicológicas do trauma, mas afirma que se sente melhor depois de saber que a Justiça foi feita.

Por respeito à vítima, a reportagem da Folha não vai divulgar seu nome e nem informações que possam levar à sua identificação.

O condenado é tio da vítima por afinidade — ele era casado com a irmã da mãe da menina. Na época dos fatos, a família da criança morava em Guanhães, enquanto o casal de tios mantinha residência no distrito de Correntinho.

A menina costumava passar o dia na casa dos tios para brincar com a prima, filha do casal e um pouco mais nova. Segundo o relato da família à reportagem, os abusos aconteciam durante o dia, em momentos em que a tia estava ocupada com outras atividades.

De acordo com a família, o homem atraía a criança para locais mais afastados, inclusive em uma fazenda frequentada pelos familiares, onde os abusos eram cometidos.

Durante algum tempo, a família não imaginava que algo tão grave pudesse estar acontecendo. A mãe da menina, que é professora e também relatou já ter sido abusada na infância, começou a perceber mudanças no comportamento da filha.

Um dos episódios que mais chamou sua atenção aconteceu quando a criança estava preparando a mochila para passar o dia na casa dos tios. Segundo a mãe, a menina não queria colocar um short na mochila e disse que, naquele local, preferia usar calça.

Além disso, o desempenho escolar começou a cair consideravelmente. A criança, que já era muito tímida, ficou ainda mais introspectiva e apresentou mudanças de comportamento que chamaram a atenção da família. Até que, em determinado momento, ela conseguiu reunir coragem para contar à mãe o que estava acontecendo.

A família procurou imediatamente a Delegacia de Polícia, formalizou a denúncia, e foi encaminhada ao Conselho Tutelar onde recebeu acompanhamento do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Guanhães.

O caso foi encaminhado ao Ministério Público e passou a ser investigado pelas autoridades competentes. A denúncia foi registrada em 2019.

Ao longo dos anos, a família precisou enfrentar um processo judicial que se prolongou por diferentes etapas e recursos apresentados pela defesa do acusado. Nesse período, a tia da vítima, irmã da mãe da menina, também se separou do homem.

Sete anos depois da denúncia, a condenação tornou-se definitiva e a prisão foi determinada pela Justiça. O mandado de Prisão Definitiva decorrente de condenação transitada em julgado, foi expedido pela 2ª Vara Cível, Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Guanhães.

De acordo com o documento, a condenação é definitiva e prevê pena restante de 12 anos e 9 meses de prisão, em regime fechado. O mandado registra ainda que a condenação é referente ao artigo 217-A do Código Penal, dispositivo que trata do crime de estupro de vulnerável.

A prisão ocorreu na última quinta-feira (13). Para a vítima, porém, o fim do processo judicial não significa que todas as marcas tenham desaparecido.

Depois da denúncia, ela passou por momentos extremamente difíceis. Segundo a família, enfrentou medo, depressão e episódios de automutilação durante a adolescência.

Desde o período posterior à denúncia, ela passou a receber acompanhamento psicológico e, atualmente, continua sendo acompanhada por profissionais de saúde, inclusive com acompanhamento psiquiátrico e uso de medicamentos.

Apesar dos traumas, hoje a jovem segue a vida. Estuda e realiza estágio em uma empresa conceituada, buscando construir seu futuro. Ainda assim, segundo a família, o medo permanece. Mesmo após a prisão do condenado, ela teme possíveis represálias ou vingança.

Para a mãe da vítima, a história também deixa um alerta para outras famílias. Ela destaca a importância de pais e responsáveis observarem mudanças de comportamento das crianças e manterem um diálogo aberto, criando um ambiente em que elas se sintam seguras para contar quando alguma coisa estiver errada.

A mãe ressalta, porém, que os abusos não aconteceram em um ambiente que a família considerava perigoso. Pelo contrário: o autor era uma pessoa da própria família.

 

A orientação é que pais e responsáveis conversem constantemente com seus filhos, ensinem que ninguém pode tocar em seu corpo de maneira inadequada e, principalmente, mostrem que a criança pode procurar um adulto de confiança sempre que algo causar medo, desconforto ou insegurança.

Também é fundamental prestar atenção a mudanças repentinas de comportamento, alterações no rendimento escolar, isolamento, medo de determinadas pessoas ou lugares, mudanças nos hábitos e outras manifestações que possam indicar que algo não está bem.

À reportagem da Folha, a família considera que o acolhimento recebido após a revelação foi fundamental para que a menina pudesse enfrentar o processo. A mãe destaca especialmente o trabalho da rede de proteção à criança e ao adolescente de Guanhães, além da importância do acompanhamento psicológico e médico ao longo dos anos.

Para ela, denunciar imediatamente, afastar a criança do agressor e buscar ajuda profissional foram atitudes essenciais.

A reportagem da Folha reforça que crianças vítimas de violência precisam ser protegidas, ouvidas e acolhidas. Em situações de suspeita ou confirmação de violência, pais e responsáveis devem procurar imediatamente os órgãos competentes da rede de proteção.