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A situação da Rodoviária de Guanhães tem gerado preocupação entre moradores que vivem nas proximidades do terminal. Eles procuraram a reportagem da Folha para denunciar o que classificam como um cenário de abandono, insegurança e falta de ações efetivas do poder público diante do aumento da presença de usuários de drogas na região.

Segundo os relatos, o problema não é recente, mas teria se agravado nos últimos anos. Moradores afirmam que o local passou a ser frequentado constantemente por usuários de drogas, que utilizam a estrutura da rodoviária para permanecer durante o dia e também durante a noite.

Uma moradora conta que, há alguns anos, havia apenas dois usuários frequentando a região. Com o passar do tempo, esse número aumentou consideravelmente, transformando a rodoviária, segundo ela, em um ponto de permanência dessas pessoas.

Ainda conforme o relato, alguns usuários estariam dormindo no interior do terminal, utilizando a água do jardim para higiene pessoal e deixando roupas espalhadas pelo gramado. Ela afirma que a estrutura do local acaba favorecendo essa ocupação.

Outro ponto que preocupa os moradores é a presença constante de uma fumaça escura acompanhada por um forte cheiro de borracha queimada. Segundo eles, fios elétricos estariam sendo queimados para retirada e comercialização do cobre. Segundo uma moradora, vários deles foram vistos com rolos de fios; entretanto, essa informação é baseada em relatos da comunidade e não há confirmação oficial sobre a origem do material queimado.

Uma terceira moradora relata que o odor é tão intenso que ela precisa manter portas e janelas fechadas para evitar que a fumaça entre em sua residência, afirmando que o cheiro provoca mal-estar e dificulta até mesmo a respiração.

Além dos problemas relacionados à fumaça, os moradores afirmam que a sensação de insegurança aumentou significativamente. Eles dizem ter medo de circular pela região, especialmente durante a noite, devido à ocorrência de brigas, agressões e à falta de iluminação pública.

Segundo os relatos, parte da área da rodoviária, principalmente o estacionamento interno e ruas próximas, permanece no escuro há meses. Uma moradora afirma que chegou a solicitar a troca de uma lâmpada apagada junto à Prefeitura, mas, até o momento, nenhuma providência teria sido tomada.

Os moradores também reclamam da falta de rondas policiais frequentes na região, e contam que em diversas ocasiões, acionaram a Polícia Militar durante ocorrências de brigas e agressões, mas alegam que nem sempre houve atendimento imediato. Um dos relatos cita, inclusive, um episódio de violência envolvendo pauladas em um beco próximo à rodoviária.

Outro questionamento da comunidade é em relação ao fechamento da passagem da Rua Alameda Heitor Nunes. Segundo uma moradora, a medida não resolveu o problema, já que, de acordo com ela, o acesso à área continua sendo feito por um lote ao lado.

Para quem vive nas imediações, a situação já ultrapassa a questão da segurança pública e passa a representar também um problema de saúde pública e de qualidade de vida. Os moradores afirmam conviver diariamente com medo, insegurança, fumaça, mau cheiro e a sensação de abandono.

Diante desse cenário, eles fazem um apelo para que a Prefeitura de Guanhães, as forças de segurança e os demais órgãos competentes realizem ações integradas para recuperar a área da rodoviária, reforçar o policiamento, melhorar a iluminação pública, intensificar a assistência social às pessoas em situação de vulnerabilidade e oferecer mais segurança tanto aos moradores quanto aos passageiros que utilizam diariamente o terminal.

A reportagem da Folha deixa o espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Guanhães, da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Ministério Público, caso desejem se posicionar sobre as reclamações apresentadas pelos moradores e informar quais medidas poderão ser adotadas para enfrentar a situação.