O ex-prefeito de São José do Jacuri, Cláudio José Santos Rocha, conhecido como Cláudio da Juca, tornou-se réu em uma ação de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O processo apura a existência de suposto dano ao erário e possível obtenção de vantagem indevida durante o exercício do cargo, a partir de irregularidades na contratação de uma empresa locadora de veículos pelo município.
De acordo com a ação, foram identificados indícios de ilegalidades na relação contratual firmada com a empresa, que também figura como réu no processo. A contratação e a execução dos serviços são apontadas como centrais para a investigação conduzida pelo Ministério Público.
No despacho inicial, a Justiça recebeu a ação ao considerar que há elementos suficientes para o prosseguimento do feito. O magistrado destacou que, em tese, a conduta atribuída ao ex-prefeito pode ter causado prejuízo aos cofres públicos municipais. Ao analisar a legitimidade das partes, o juiz registrou que a ação foi proposta contra quem teria praticado o ato de improbidade, concorrido para sua prática ou obtido vantagem indevida, alcançando tanto o agente público quanto eventual terceiro beneficiado.
Um dos pontos que chamam a atenção nos autos é a dependência financeira da empresa contratada em relação à administração municipal. Segundo o processo, há indícios de que o estabelecimento teria sido custeado em grande medida com recursos públicos, com contratos que representariam parcela significativa de seu patrimônio ou de sua receita anual. Esse dado levanta questionamentos sobre a real autonomia econômica da empresa e sobre os limites legais da relação entre o poder público e fornecedores privados.
Outro aspecto relevante apontado na ação é a relação prévia entre os investigados. O empresário, ocupou o cargo de secretário municipal de Agricultura durante a gestão do ex-prefeito. Para o Ministério Público, essa proximidade política e administrativa pode ter criado um ambiente de confiança que facilitou a prática dos atos sob investigação.
O processo ainda está em fase inicial, e os fatos narrados serão analisados ao longo da instrução, com garantia do contraditório e da ampla defesa aos réus. Ainda assim, o caso reacende o debate sobre transparência, controle dos gastos públicos e a necessidade de fiscalização rigorosa das contratações realizadas pelas administrações municipais.