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Postado em 24/06/2008 - 11:13
Comerciantes de Guanhães questionam realização de feira de malhas na cidade
A Associação Comercial se posicionou contra a liberação do evento que acontece desde a última sexta-feira na Alberto Caldeira.
Um grupo de 10 comerciantes de Guanhães esteve na prefeitura na última sexta-feira (dia 20), em busca de informações sobre a I Fest Malhas Sul Minas, que começou no sábado, dia 21.
A reclamação dos comerciantes era de que a feira iria prejudicar o comércio local. Na ocasião, a secretária de Fazenda, Cláudia Ventura de Castro, recebeu os comerciantes para esclarecer as dúvidas.
A secretária da Fazenda explicou que a Lei Municipal nº 2.169 que estabelece normas para funcionamento de feiras de exposição e vendas por atacados e varejo de produtos e serviços surgiu para proteger o comércio de Guanhães.
“Quando surgiu essa primeira lei em 2006, foi para que o comércio de Guanhães crescesse sem ter certas influências como a que está tentando vir por ai”, afirmou Cláudia de Castro, referindo-se a I Fest Malhas Sul Minas.
Entretanto, segundo ela, desde que estejam amparados legalmente os comerciantes de outras localidades rogam dos mesmos direitos que os comerciantes do município. Durante a reunião os comerciantes também questionaram o apoio da prefeitura à feira. A secretária Cláudia de Castro explicou que não houve apoio favorável ou contrário da prefeitura ao evento.
Representando a Acig - Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e Prestação de Serviços de Guanhães, o empresário Antonio João Pimenta Lopes, Toninho do Katuta, esteve na prefeitura e afirmou que a Acig é contrária a realização de feiras no município, inclusive a da atual.
“Existe uma lei que foi sugerida pela própria Acig com uma série de exigências que é praticamente impossível que uma pessoa que está no ramo de feiras cumpra”, afirmou Lopes, referindo-se a Lei Municipal n º 2.169. “A Acig se posicionou dentro da lei, e a Acig vem lutando contra essa feira desde o início, nós somos contra a feira”, concluiu.
Apesar do posicionamento da Acig, o organizador da I Fest Malhas Sul Minas, Evaldo Scodeller, conseguiu junto à prefeitura a liberação de alvará para realização da feira. O alvará foi concedido ao organizador no final da tarde de sexta-feira (dia 20) após a comprovação do recolhimento da taxa de alvará de funcionamento devida ao município, no valor de R$ 3.168,00, referentes aos 22 estandes que estarão expondo por nove dias ao custo de 16 reais por dia.
A comerciante do ramo de vestuário Denise Silva faz parte do grupo de empresários que esteve na prefeitura e disse estar preocupada com a realização da feira.
“Vivemos numa região onde o que funciona aqui é notinha. Com a feira, as pessoas que compraram não vão nos pagar agora”, disse a empresária. “Os impostos chegam, eu tenho que pagar. Meus cheques estão no banco e o banco não vai esperar para eu poder pagar”, enfatizou.
A secretária de Fazenda afirmou que a carga tributária imposta a esse tipo de evento é maior do que a aplicada sobre os comerciantes da cidade.
Segundo o empresário Iran Robson, Guanhães é uma cidade que vive do comércio, mas seus comerciantes são economicamente frágeis. Segundo ele os comerciantes do município precisam se unir “para que quando vier essas feiras ou qualquer outra coisa de fora a gente esteja preparado”.
Para o organizador da feira, Evaldo Scodeller, o evento não trará prejuízo para o comércio da cidade. “Dizem que pode haver prejuízo, pois só vendemos a vista, mas isso não é verdade, também vendemos fiado, com cheque ou cartão”, afirmou o organizador. “A população só tem a ganhar com a feira”, destacou.
O artigo 3º da Lei 2.169 prevê a reserva de 30% da área total para comerciantes locais. Mas, segundo Evaldo Scodeller, os espaços destinados aos comerciantes do município não foram ocupados. A Acig confirmou que nenhum associado se interessou em expor no evento. No total, nove estandes estão desocupados na feira.
Qualidade do produto
Um dos requisitos para a aprovação da feira que consta na Lei 2.169 é a qualidade dos produtos postos à venda.
De acordo com a secretária de Fazenda, Cláudia de Castro, não é possível questionar a qualidade dos produtos.
“Para mim o produto pode não ser bom, mas para um, ou qualquer outro, pode ser. Então é um critério irrelevante”, concluiu a secretária.
Mesmo assim, segundo Evaldo Scodelle, organizador da feira, a prefeitura fez uma avaliação dos produtos que estarão à venda. Segundo ele, foi observado, a qualidade do produto, a etiqueta de composição e as empresas fabricantes.
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